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Na Finlândia, exemplo clássico do conflito eterno entre preservação e progresso

Uma das soluções (entre aspas) encontrada pelo mundo corporativo para continuar a investir sobre os recursos naturais sem ficar com a imagem poluída é a compensação ambiental.Na União Europeia, há uma variação disso. Chamam de compensação de biodiversidade quando o estrago da atividade industrial for atingir mais os bichos do que a flora. E lá, como em todo lugar, funciona assim:quando uma empresa (que tenha consciência e responsabilidade) sabe que precisará causar impactos ao entorno com alguma produção, ela pede a uma organização especializada para avaliar, primeiro, o local que será impactado e, depois, se é possível encontrar outro lugar para promover a compensação pelos danos que vai causar.

Os ambientalistas, em sua quase total maioria, são contra esse mecanismo de compensação criado pelos devotos da economia verde. O argumento dos críticos é que a natureza não pode ser mercantilizada dessa forma.No fim das contas, os danos são causados de qualquer maneira e vão atingir a todos.

Além do mais, se é possível “salvar” um local para servir como uma espécie de contrapartida para o outro lugar que não será “salvo”, expõe-se aí uma hipocrisia. Porque a atividade industrial precisa e pode ser mais consciente e delicada com o entorno, independentemente de o lugar ser ou não “preservável”. A ideia é que estamos todos no mesmo barco, enfrentando os mesmos perigos, no mesmo planeta.

No jornal britânico “The Guardian” desta quinta-feira (18), há um exemplo claro de como pode ser difícil administrar essa lei da compensação. Na reportagem assinada por Arthur Neslen há uma denúncia grave, de que a Fundação Flora e Fauna Internacional, chancelada pela Rainha da Inglaterra, pelo ambientalista David Attenborough e pelo comediante Stephen Fry, foi contratada pela multinacional de minério Anglo American para procurar um território que servisse como compensação para os estragos que a mineradora precisará fazer no parque Viiankiaapa, na Finlândia. Trata-se de um parque com cerca de 40km no círculo ártico onde há, no mínimo, 25 espécies de aves em extinção, além de uma beleza natural impressionante. Naquele local a empresa pretendeperfurar para extrair platina, níquel, cobre e ouro.

“A Finlândia é também na Europa”, disse a ambientalista Hannah Aho ao jornal, contrapondo-se à ordem da compensação.

Um pastor de renas local, Jukka Kaaretkoski, ouvido pela reportagem, disse que a perfuração terá um custo ambiental inestimável e que será um golpe terminal não só para as aves, mas para a atividade de colegas seus cujos animais pastam no local. Todos estão com medo de perder seu meio de subsistência. Um vereador do Partido Verde finlandês gritou o quanto pôde, mostrando como se torna impotente diante da mega corporação de outro país que descobre em sua terra um recurso natural.  Não custa lembrar que mineração é uma atividade bastante agressiva ao ambiente do entorno. Sendo assim, rios e lagos de Viiankiaapa também correm um sério risco.

A Anglo American já fez 180 perfurações no local, mas a atividade teve que ser paralisada até que a Justiça se pronuncie. E coube ao pastor de renas lembrar que há uma Fundaçãoenvolvida na questão , cuja missão, segundo consta no site, é conseguir “Um futuro sustentável  para o planeta, onde a biodiversidade  é  efetivamente conservada pelas pessoas que vivem mais próximo a ele, apoiado pela comunidade global”.

"Eles podem até achar que estão ajudando a natureza, ou pessoas como nós, a proteger nossa terra. Mas, de verdade, o trabalho que fazem está ajudando a destruir coisas.Gostaríamos de saber se a Rainha e todas aquelas celebridades que apoiam a FFI sabem, realmente, o que estão apoiando”, disse Jukka Kaaretkoski.

Em sua defesa, a FFI disse que a Anglo American, com quem tem uma parceria institucional, está comprometida com as melhores práticas ambientais. Pippa Howard, diretor de negócios da ONG, admitiu que a reputação da organização ficou abalada com essa história. Mas alertou para uma outra possibilidade, talvez ainda pior, que costuma acontecer nesses casos. Após ter sua licença cassada, a multinacional se retira do local e outras empresas menores, menos  conscientes ou responsáveis, assumem a mineração sem pedir aprovação, deixando um rastro de degradação ainda muito maior. Da série: se correr o bicho pega e se ficar...

É possível fazer diferente, argumentam os críticos como Ian Angus, ecosocialista canadense. No livro recém-lançado “Facing the Anthropocene” (Ed. Monthly Review Press), Angus diz que os impactos ecologicamente destrutíveis do capital resultam não de sua necessidade de crescer, mas de sua necessidade de crescer rápido. Aqui vale lembrar uma frase de Rachel Carson, autora de “Primavera Silenciosa”, bióloga que primeiro denunciou a pegada ecológica humana sobre a fauna e flora. Seu livro foi escrito na década de 50 e publicado apenas em 1962.

“O mundo moderno adora os deuses da velocidade e da quantidade, do lucro fácil e rápido, e por conta desta idolatria, males monstruosos têm surgido”, escreveu ela.


“Em sua perseguição sem fim pelo lucro o capital destrói o solo, mesmo que isto vá privar as gerações futuras de alimentos”, argumenta Ian Angus. “Há um conflito insuperável entre o tempo da natureza e o tempo do capital – entre os processos cíclicos do sistema da Terra que têm se desenvolvido através de milhões de anos, e a necessidade de capital para produção rápida, entrega e lucro”.

São argumentos sólidos. A questão é como lidar com eles. No mundo dos simbolismos, como se sabe, fica fácil criar uma instituição que se destina a preservar a flora e fauna e fazer dela uma espécie de extensão do mundo corporativo para dar às empresas uma boa imagem. É mais confortável acreditar que é possível poluir de um lado e preservar de outro para manter o ecossistema íntegro. Dados científicos estão mostrando, porém, que não tem dado certo este sistema. Segundo outra reportagem do próprio “The Guardian”, continuamos a emitir mais de 30 bilhões de toneladas de dióxido de carbono a cada ano.

Embora o texto do Acordo de Paris, ratificado até agora por 22 países apenas, dos 55 que são necessários para oficializá-lo, se comprometa a manter a temperatura em 1.5 grau até o fim do século, os cientistas estão afirmando que isso é impossível. O aquecimento vai estar em torno de 3 graus, o que é um perigo extremo não para a maioria dos cidadãos, mas para os pobres, do andar debaixo, que serão os primeiros expulsos do Titanic.

 

Finlândia

Fonte: http://g1.globo.com/natureza/blog/

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